Sábado, 18 de Setembro de 2010

Bem, a resposta nem eu sei bem. Mas acho que é para comunicar! Sim, é isso. Vou escrever algo relacionado com a minha experiência nos Açores.

Há uns dias (8 meses e meio!) surgiu a oportunidade de vir para a ilha de São Jorge. Fazer o quê?! Trabalhar, evidentemente! porque a vida são dois dias mas temos de nos esforçar dia e meio para chegar ao carnaval.

O que faço? alguns entendem como turismo (e que bom que era abrir um mestrado em «passeador diletante»!), outros afirmam que sou jornalista e há ainda os mais radicais mas remeto essa perspectiva para depois.

Nos primeiros meses a comparação com o meu contexto de origem foi inevitável porque os sons ao surgir da noite, as cores vibrantes de uma paisagem imponente ou o esplendor do mar faz qualquer adulto pasmar como uma criança (que naquele momento começa a ver o mundo  à sua volta e se admira com a sua beleza). Dimensões que frequentemente remeto para um plano secundário mas que agora cuido com especial atenção.

Na minha primeira noite, estava em casa sozinho, sem saber bem o que fazer. Fui para a janela. Era inverno mas via-se a “estrada” desenhada pela lua no mar, olhei à minha volta e vi sossego, casas com luzes acesas e pensei: estou sozinho, e agora?! Tremi. Percebi que estava sozinho numa terra que não conhecia, numa casa que não era a minha. Tinha uma casa inteira para mim e não conseguia decidir onde me encaixar. Fiquei ali, completamente estúpido.

Sabia que tinha pela frente dois anos para conseguir trabalhar num projecto da minha área de formação e era aqui que queria estar. Mas 1500km de mar separavam-me do conforto dos afectos e naquele momento era difícil optar.

Talvez seja este o verdadeiro motivo deste blogue. Sem dúvida que quero falar deste sítio e da minha experiência particular. Falar para divulgar e, quem sabe cativar outros a tornarem-se turistas em S. Jorge e, falar como catarse (no sentido positivo! Se é que o tem…) das experiências que esta ilha me proporciona.

De agora para o futuro irei partilhar os estímulos visuais (através de fotos) e tecer algumas considerações acerca do vasto conjunto do património social e natural dos locais que for visitando. Com especial enfoque nas inúmeras fajãs de povoam a ilha de São Jorge.



publicado por CadernoDaNoite às 03:12 | link do post | comentar

6 comentários:
De Lisete a 18 de Setembro de 2010 às 17:38
Meu caro amigo,
Muito bem escrito e digo-te, consegui imaginar que era eu no teu lugar. Consegues entrar na alma com as tuas frases :)
Espero que estejas a realizar um dos teus sonhos.
Um abraço de muita sorte
Lisete


De Paulo Mendes a 20 de Setembro de 2010 às 19:15
Porque, quando no terreno, se sente sempre sozinho o antropólogo?

Sei muito bem o que são essas primeiras noites que, parece-me, se prolonga, até ao fim do TdC, ou quase. Numa curta frase levaste-me até lá outra vez. tenho saudades, mas não sei se te agradeço a viagem!

Continua. Gostei.
Abs.


De jorge pereira a 21 de Setembro de 2010 às 19:03
ola amigo
parece que o nome jorge anda sempre ctg :) adorei a descrição parece que se referia a uma terra distante onde baco se tornou imortal :) vou acompanhar estas tuas dissertações e perceber o que torna sao jorge to especil..um abraço irmao


De Mauro Andre a 23 de Setembro de 2010 às 00:15
Grande amigo! Desejo-te muita sorte neste novo desafio!! Tendo em conta que crescemos juntos, e que a nossa educação, formação e intelecto, se desenvolveu de forma (quase) paralela, com toda a certeza que irás ser bem sucedido. :P
Um grande abraço!


De D. Kya Hannar a 9 de Outubro de 2010 às 19:33
Soneto da Solidão Antagónica

Não penses que aqui estavas melhor.
Não penses que és o solitário mor.
O Sobreiro é um deserto
E só os camelos cá ficaram.
Tens o oceano por perto
E pessoas novas que te refrescam.
Abalaste como os outros ao rubro
E apenas as velhas carcaças deixaram.
Esta árvore já não é uma Nação, é solidão
É estilhaços do utópico 5 de Outubro.
Olha, absorve o Éden dessas fajãs,
Que eu, de paraíso, só o Casal.
Vamos tentar manter a mente sã
Porque temos ainda a erma e o ideal.

D. Kya Hannar


De bastiana a 20 de Outubro de 2010 às 16:12
"Dizendo mal da vida sobre um ninho de cucos!" a angustia da solidão longe de outros destinos bem menos preocupados e mais sorridentes (Miranda?).
tem lugar aí para mais um?? nem que seja em 15 minutos de um café, porque... olha, aqui no continente a coisa não tá famosa.

força e grande abraço
(só hoje é que tive oportunidade de ver o teu super blog)


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