Sábado, 2 de Abril de 2011

Ontem fiz a caminhada entre a fajã de São João e a fajã dos Bodes, na encosta Sul de S. Jorge. O dia estava perfeito para caminhar, sem muito calor mas com um sol sempre agradável.

O percurso é um daqueles trilhos turísticos classificados disponíveis em S. Jorge. Demora cerca de três horas a andar com subidas bastante acentuadas mas a paisagem é, como sempre!, deslumbrante.

Desta vez o grupo era grande. Pessoalmente prefiro 4 ou 5 pessoas porque que só assim se torna possível “sintonizarmo-nos na mesma onda”…andar, olhar à volta e por uns momentos deixar-nos levar pela imensidão dos verdes, do mar e das árvores com as suas copas moldadas pelos ventos. Também gosto de ouvir aquelas estórias de “o meu avô tinha aqui uma terra e conta que…”. Ora isto é o verdadeiro mote para desenrolar o “novelo” das histórias antigas que atravessam gerações. Eu gosto disso! Com um grupo maior e heterogéneo é mais difícil de conseguir.

No caminho encontrei um senhor que me ajudou a semana passada para o meu trabalho. Estava a “picar faias” para alimentar os animais.

Ali estava o Sr. Manuel, com os seus olhos azuis, concentrado no gesto da foice. Quando o interrompi, olhou-me e sorriu. Eu devolvi o sorriso e lancei a pergunta «lembra-se de mim?». A resposta deixou-me feliz. Ele lembrava-se. Acho que isso para mim é importante…

Enquanto explicava o que tinha feito nesse dia e o que ainda faltava fazer até semear o milho eu reparava nas suas mãos ásperas, cortadas do trabalho. Aquele corpo franzino metido numas calças remendadas lançava olhares para a encosta. Que fotografia linda!

Não demorou muito tempo a convidar-me para entrar na sua casa. Pegou no garrafão e “brindou-me” (a isto não há como escapar…só se estivermos a tomar muitos medicamentos). O resto do grupo há muito que tinha seguido. Por mim, se não fosse cá por coisas tinha era continuado ali a falar. Estas pequenas coisas enriquecem as caminhadas. Cada pedaço daquela encosta tem estórias para contar. Mas segui na caminhada. Ficou a promessa de voltar à sua casa para ver como se faz uma esteira de vimes.

A esta altura a caminhada estava a meio. O mais difícil já estava para trás. Agora era só descer até à fajã dos Bodes, o destino final, onde nos esperavam com uns frangos assados. Quando se começa a descer é possível ver as formas de São Jorge. Viam-se umas casas ao fundo, era a Ribeira Seca. A vista para o mar e para o Pico estão favorecidas. É sempre agradável ver o mar.

No caminho há umas quedas de água que “roubam” muito tempo a quem gosta de fotografias de natureza. Vale a pena.

Quem algum dia se aventurar nestas caminhadas em São Jorge, não pensem na duração do trilho, nas dores de pernas ou se o telemóvel está sem rede. O meu conselho é deixem-se ir. Façam uma pausa, olhem à volta e respirem fundo. Mais! Sempre que possível parem para falar com as pessoas. Há histórias que merecem bem o tempo de as ouvir contar. Afinal, é isso que enriquece esta paisagem.



publicado por CadernoDaNoite às 02:10 | link do post | comentar

1 comentário:
De Rúben Reis a 2 de Abril de 2011 às 19:21
Amigo, nessa tua aventura, o melhor que podes fazer é aproveitar essas caminhadas e essas paisagens, curtindo ao máximo e, claro, sempre que possível, fazer uns "brindes"... Criar amizades e manter as antigas é muito importante! Aproveita e, mais importante, diverte-te muito!!

Um abraço do teu "vizinho" de Peniche...


Comentar post

mais sobre mim
Outubro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

duas ou três partes a seg...

Parte I

Praia

O tarzan e outras coisas

O Mar

crónicas de uma caminhada

Lugares, Memórias e Compo...

Entre dois mundos

Festa da Sopa

Fajã de Entre-Ribeiras e ...

arquivos

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Abril 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

tags

todas as tags

links
Posts mais comentados
blogs SAPO
subscrever feeds